Reciclagem

Sunday, July 17, 2005

SEVERINA

Ridículo...
Como um amante não correspondido
Ele defina!
Ridículo...
Como um bêbado falando coisa nenhuma
Ele alucina!
Ridículo...
Como um samba dançado em ritmo de bolero
Ele declina!
Ridículo...
Como um carteiro que lê a correspondência alheia
Ele bolina!
Ridículo...
Como o atravessador que onera o alimento do homem
Ele assassina!
Ridículo...
Meu peito dilacerado vaticina:
Vendo a alma ao Diabo que se fascina
Com os poderes lá do alto da cidade sem esquina
Fincou uma estaca no meu orgulho sem qualquer paliativo ou morfina
Visto roupa de palhaço pra alegrar minha angústia, construo uma imagem na minha retina
E espio pela janela da imaginação meu país que se ilumina
meu povo alimentado e sem medo de chacina
minha cultura respeitada sem nem saber o que é propina
minha Bandeira com “Ordem e Progresso” que em seu seio assina
agitada, afogueada, como uma mulher bem amada e com alma feminina
voando vento ameno nesse continente sereno como colorida pipa que uma criança empina!

O meu nome? Está na CPI do céu, DEUS é quem por mim assina
Não sei porque, mas Ele mesmo me deu o nome de Severina
Deve ser porque uniu tudo do que significa ter uma “severa sina”
Mas sou brasileira, rocha dura e esperançosa da sorte que a mim destina.

Edi Longo,
SBAT 030899
UM PAÍS CHAMADO PAZ!

Descobriram-me? Eu nunca estive coberto!
Corria moleque nu pelos meus verdes pastos
Bebia de minhas águas fartas e dela comia meu peixe
Não pedi nada a ninguém, esqueçam-me e me deixem!

Acharam-me? Eu não estava perdido!
Hoje sim, eu estou, não sei onde mais me encontro
Vago trôpego e me sinto afogando em areia movediça
Estupraram meu corpo, botaram-me alma postiça.

Nominaram-me? Eu tenho um nome próprio!
Uma marca feita à mão pela minha própria natureza
Sou um gigante liberto, pássaro em vôo rasante
PAZ é o meu nome e só isso já é o bastante

Colonizaram-me? Eu sou um continente!
Sugaram minha entranha, tirando dela riquezas
Rasgaram minha pele, rasparam minha cabeça
Afastem-se de mim antes que eu apodreça.

Catequizaram-me? Eu tenho minha cultura!
Não quero nada de ninguém, apenas o que é meu
Minha honra, minha hegemonia, tudo claro, nada oculto
Não preciso de heróis, muito menos de um corrupto!

Domesticaram-me? Eu não me deixo dobrar!
Sou maior do que vocês, súcia, ladrões, mentirosos
Filhos que dizem me amar enquanto me dilaceram
Comendo o pão dos irmãos que famintos adoeceram

Modernizaram-me? Não quero ser apenas uma máquina!
Quero meus primeiros filhos, puros e sem falhas de caráter
Quero a igualdade pra todos, nem precisam mais me amar
Os que me amam saberão o quanto posso lhes dar

Politizaram-me? Eu tenho minhas próprias leis!
Quero meus filhos nus e sem bolsos pra nada esconder
Quero meu corpo de matas e rios e fauna e flora
Não preciso de vocês, me deixem e vão embora!

Edi Longo,
SBAT 030899